Nasceu uma violeta!!!

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Soltem os fogos, badalem os sinos!!! Nasceu uma flor na minha janela!!! Lilás, pequenina, uma como qualquer outra de sua espécie. Apenas mais uma violeta no mundo. Mas ela vem a mim e ao mundo no momento exato. E ela me ensina. Me ensina sobre a paciência que se deve ter com as coisas vivas. Sobre o tempo lento das coisas vivas. Que vão se constituindo célula a célula, folha a folha, passo a passo, devagar... Até o momento de brotar num repente. De repente, uma explosão discreta e silenciosa de flor. Ontem ela não estava lá e hoje ela está. Ontem ela não existia e hoje ela existe. E no entanto ela se preparou durante meses para isso. Foram meses para recuperar-se de sua debilidade. E ela não desistiu ou hesitou por nem um segundo. Talvez tenha se sentido cansada em algum momento, é um processo violento isso de nascer, de construir-se no mundo, é preciso ir explodindo lentamente, mesmo a despeito da dor. E ainda assim, ela, pequenina, não parou por um segundo sequer. Conseguiu, passados tantos meses, existir.
Ser vivo é ser feito de matéria como todas as coisas, mas lutar contra a tendência da matéria a desorganizar-se. Ser vivo é lutar contra todas as probabilidades...

Um segredo: a flor em minha janela é como a flor que, na mesma noite, nasceu em mim. A flor violenta de minha voz que, depois de ser grito sufocado por anos, brotou numa explosão surpreendentemente suave em meu peito. Algo que sorrateiramente se preparava nasceu finalmente em mim. Quando eu ainda desejava, mas já não esperava mais.

Inevitavelmete suspeito da explosão repentina do porvir. Daquilo que está sendo sorrateiramente preparado, célula a célula, tijolo a tijolo, por cada um dos que insistem em não desistir.

"E concluí: a vida, ela toda, é um extenso nascimento."

E então era já tempo de haver flores.

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