“A vida é um movimento deliciosamente assustador”

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Uma escola que torne desnecessária qualquer escola

Cada vez mais percebo que o que me orienta pelas entranhas do mundo, o que define minhas escolhas, meus caminhos, é uma vontade ainda meio vaga de estar em contato. De estar em contato com tudo, com a vida, com o mundo, com o outro. Vontade de lar, vontade de pertencer. Vontade quase de me diluir no mundo, de me “desmembranar“ no mundo. No entanto, a única opção de existência que me é oferecida, é essa que não se comunica com nada, da qual se exige provas todo o tempo. É tão vazia de sentido essa existência que é preciso inventar sentidos que possam legitimá-la perante a fatalidade dos fatos. Quero a possibilidade de verdade interior. Aprendi, porque vi e vejo, dentro dos olhos, por detrás dos atos, que a verdade interior de um ser humano é o que há de mais belo e mais terrível no universo. Porque esta a que estou chamando “verdade“, nada mais é que a própria Vida. É dessa substância que quero que se faça a realidade mais corriqueira e as relações todas. Quero que a vida faça sentido pelo puro ato “deliciosamente assustador“ de viver. Acredito no potencial da liberdade.

A importância de educar reside, a meu ver, primeiro no fato de permitir que seres humanos sejam desde sempre capazes de pensar por si mesmos, e se entedam no pleno direito de usufruir a Vida e o mundo. Que se sintam capazes de descobrir pelo próprio esforço as respostas para as perguntas que desejem fazer. Pessoas que se sintam no direito de integrar o mundo, que não sejam meras espectadoras dele.

Mas como eu, fruto de um mundo que me limita, podada e castrada antes mesmo de nascer, posso julgar-me apta a tornar alguém capaz de pensar por si? Sou eu capaz de pensar por mim?
É preciso antes de tudo saber questionar. Saber duvidar. Inclusive de si mesmo. Não se pode confiar em ninguém completamente.
O risco de querermos ensinar às crianças (a essas inexistentes crianças, dessa inexistente escola) NOSSAS verdades estabelecidas, que nos parecem às vezes tão obviamente verdadeiras, existe e é seriíssimo.

Por isso a necessidade e a importância de que pessoas (no plural) se reúnam em torno de uma idéia como essa. Por isso é rico e admirável que haja essa possibilidade dentro das circunstâncias oferecidas por esse mundo doente.

É urgente a coragem de abrir mão de praticamente tudo o que se chama de vida, sociedade ou realidade. Olhar em volta me faz perceber a todo instante que nada está certo na maneira pela qual sobrevivemos no mundo. A possibilidade da transformação e da revolução implica não em salvar o que há de bom e modificar o que é ruim, mas sim em destruir absolutametne tudo o que existe e começar tudo de novo. Não necessariamente nessa ordem. O mundo em que acredito existe de alguma forma dentro das pessoas, sei porque já o vislumbrei algumas vezes. Mas ele desaparece sob as neuroses e o concreto do mundo “real“.

Todo verdadeiro ato criativo humano não seria senão fragmento ou pequena materialização desse mundo interior. E da junção desses átomos, eis que surge a possibilidade de materialização de novas realidades.

Sugestão de leitura:
O NATURAL MENTE, O REALISMO TAMBÉM MENTE E FLUSSER RI, MAS MUITO SERIAMENTE

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